quarta-feira, 23 de abril de 2008

Come a sopa, vá lá!

Isto é o que se diz frequentemente aos meninos e meninas, não é? Sim, porque aos graúdos já ninguém obriga a comer a sopita...


A educação do paladar e a criação de hábitos alimentares saudáveis começa (ou deveria começar...) na infância. Na maioria das vezes palavras como as do título do presente post por si só não surtem efeito na cabecinha dos mais pequeninos, isto porque em idades mais precoces a criança é muito sensível a estímulos sensoriais, mais do que a palavras vãs proferidas por pais em desespero...

Eles precisam de algo mais apelativo e nesta idade nada é mais apelativo à criança do que a ACÇÃO - aprender pela brincadeira, aquilo que os educadores designam por Aprendizagem Activa. Por isso vamos todos por mãos à obra (em especial, nós, futuros nutricionistas)!

Deixamos aqui alguma ideias engraçadas para estimular nas crianças o gosto pelos legumes e vegetais. O importante não é que a criança faça bem, mas sim que faça, que participe, que se divirta e que aprenda!

Para a cozinha com eles! Um avental e um degrau (pequeno banco para que cheguem à banca da cozinha) e estão prontos para dar uma valiosa ajuda a lavar e separar os legumes da sopinha. Claro está que no final vão dizer que a sopa foi feita por eles, e ainda bem porque assim certamente irão comê-la com mais gosto!


Porque não plantar num vasinho, num canteiro ou num espacinho do quintal (se houver), uma cenoura ou uma alface? Claro que o importante é que sejam as crianças as fiéis cuidadoras deste futuro alimento, verificando como este se vai desenvolvendo ao longo do tempo. Com tanto cuidado e afecto às vezes o difícil é colher este legume e colocá-lo na panela...!

Conheces alguém que plante legumes, vegetais? Óptimo! Vamos levar lá as crianças, deixá-las ajudar no cultivo, na apanha e na rega dos produtos hortícolas. Certamente isto desmistificará a ideia de que quem produz os produtos hortícolas é o supermercado onde a mamã e o papá fazem as compras...


Levar as crianças às compras é outra óptima ideia! Pois, as birras pelos doces... e porque não concentrar a atenção e a energia da criança na escolha, pesagem e colocação no carrinho de todos as frutas e produtos hortícolas? As crianças adoram sentir-se necessárias e valorizadas pelo seu trabalho!


Ler não para as crianças mas sim com as crianças, escolhendo livros apelativos que nos ajudem nesta empreitada da alimentação saudável (não, não é preciso gastar dinheiro, por exemplo, a Biblioteca Almeida Garrett tem uma diversidade de livros infantis, inclusivé sobre a temática da alimentação que são colocados à disposição para empréstimo)


Por último (last but not the least) pede ajuda ao Avô Cantigas, ainda te lembras dele? Sim, ainda é vivo e parece até que renasceu... (estas novas tecnologias fazem milagres...) e todas as crianças o conhecem! Entre as várias músicas novas que ele tem há uma que nos pode dar uma grande maõzinha na altura de comer a sopa, ora vê!


(para ouvires desliga a música que se encontra no fundo da pagina do lado direito)

A criança é influenciada pelos comportamentos e atitudes que observa nos adultos que a rodeiam, por isso se não comermos a nossa sopa certamente a criança ao nosso lado também não se sentirá estimulada a fazê-lo! O exemplo parte sempre dos adultos, principal modelo de comportamento da criança.

2008 - Ano Internacional da Batata (e do Planeta Terra)

O Ano Internacional da Batata foi declarado pela Organização das Nações Unidas, na resolução 60/191 de 22 de Dezembro de 2005.

Iniciativas em torno deste tema estão a cargo da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations), pretendendo chamar a atenção mundial para o papel que este tubérculo poderá assumir na erradicação da pobreza.

Toda a informação em torno deste ano international poderá ser consultada no seu site oficial http://www.potato2008.org. Aqui podes ficar a conhecer (quase...) tudo sobre este tubérculo, participar num concurso fotográfico à volta do tema e até mesmo fazer um jogo onde são testados os teus conhecimentos sobre a batata. Experimenta!

terça-feira, 22 de abril de 2008

World Food Program

A fome continua a ser um dos principais problemas mundiais difíceis de resolver. Para cada sete pessoas no mundo há uma que não recebe o suficiente para se alimentar convenientemente e levar uma vida saudável, tornando a fome e a ausência de nutrição num risco para a saúde mundial superior à SIDA, malária e tuberculose juntas.


A falta de nutrição é uma forma menos visível da fome mas que afecta mais a população mundial. Milhares de pessoas têm de sobreviver com a ingestão de uma pequena parte das calorias diárias necessárias para ter uma vida saudável.

Todos os anos, cerca de 11 milhões de crianças morrem antes de completarem os cinco anos de idade; a subnutrição está associada a 53% destas mortes (fonte: Caulfield et al., The American Journal of Clinical Nutrition. 2004 Julho), custando a vida de uma criança a cada cinco segundos.

World Food Programme é a agência das Nações Unidas na frente da luta contra a fome mundial.

WFP nasceu há 45 anos, como consequência de um terramoto que atingiu o Irão, em Setembro de 1962, seguido de um furacão na Tailândia em Outubro. A Argélia acolheu 5 milhões de refugiados desses países, a falta de alimentos tornou-se eminente e foi aí que o World Food Programme actuou suprindo as necessidades alimentares, e não parou desde então.

Mais de 70 milhões de pessoas em cerca de 80 países sobrevivem a cada ano graças aos alimentos fornecidos pela WFP.

Esta organização é totalmente dependente de doações voluntárias, por isso é necessária a ajuda de todos para combater esta causa tão importante que é a luta contra a fome no mundo.

A World Food Programme actua para:

  • Salvar vidas quando há crises de refugiados ou outras emergências;
  • Melhorar a qualidade de vida das pessoas mais vulneráveis do mundo nos momentos mais críticos das suas vidas ;
  • Tornar possível o desenvolvimento das populações:

(a) apoiando a construção de um património que as beneficie directamente;

(b) promovendo a auto-suficiência dos mais pobres e das comunidades.


O vídeo que se segue ilustra o quão importante é a missão desta organização na luta contra a fome mundial.



(para ouvires desliga a música que se encontra no fundo da pagina do lado direito)

domingo, 20 de abril de 2008

Aumento do Preço dos Alimentos - um desafio para os nutricionistas!

Já pensaram no impacto que o recente aumento do preço dos alimentos poderá ter na nutrição humana e, mais especificamente, no trabalho dos nutricionistas?
Para começar, vamos tentar compreender as origens do problema do aumento dos preços. De uma forma geral, pode dizer-se que existem 3 razões principais para a recente escalada dos preços dos produtos alimentares:

  • Aumento da procura por parte de países em desenvolvimento com um acentuado crescimento demográfico (ex. Índia e China). Paralelamente, a maior restrição das exportações por parte destes países tem também potenciado o aumento dos preços.
  • Maiores custos de distribuição e de produção dos alimentos, resultantes não só do seu maior processamento, mas também da sua exportação para locais mais distantes e do aumento do preço do petróleo.
  • Aposta nos biocombustíveis, o que faz com que uma parte significativa das colheitas de cereais e dos terrenos de cultivo seja desviada da indústria alimentar para a indústria energética (ex. produção de bioetanol).

Este conjunto de factores levou a que o preço de alimentos como o arroz, o milho, o trigo e a soja aumentassem 75% desde o ano 2000. Consequentemente, o preço da carne, leite e derivados também sofreu grandes aumentos, uma vez que a maior parte das rações para animais é feita à base de cereais.

Todas estas mudanças à escala global afectam e continuarão a afectar de forma mais incisiva os países mais pobres (crises humanitárias e conflitos gerados pela fome e falta de água), mas também os países mais ricos serão afectados.
Antecipando o agravamento da situação nos próximos anos, é importante reflectir sobre as suas implicações para Portugal.
Do ponto de vista do nutricionista alguns dos desafios que actualmente se colocam no desenrolar da sua actividade terão tendência a agravar-se, nomeadamente:

  1. Como planear refeições saudáveis quando os alimentos que as constituem escasseiam ou não são acessíveis a um grande sector da população, devido ao seu preço elevado?
  2. Como será possível o Serviço Nacional de Saúde comportar os custos com a saúde decorrentes da adopção de hábitos alimentares pouco saudáveis?
  3. Como educar as pessoas com menos recursos financeiros para a importância de adquirir os alimentos mais saudáveis, que serão eventualmente mais caros?


Fontes:
World Socialist Web Site
AgroNotícias
SIC Online

sexta-feira, 18 de abril de 2008

NutritionData - Informação nutricional online

Na sequência da divulgação de sites úteis relacionados com a nutrição e a alimentação que iniciámos no mês passado, hoje, vamos apresentar-vos o NutritionData.com.

O
NutritionData (ND) distingue-se dos outros sites nutricionais por fornecer a informação relativa à composição dos alimentos de uma forma rápida e num formato fácil de usar. O ND apresenta estes dados em diversos formatos – desde os números em bruto até à sua análise mais aprofundada e comentada – para ir de encontro às necessidades dos consumidores individuais, dos profissionais da nutrição e da indústria alimentar.


A fonte de informação utilizada para a obtenção dos dados nutricionais é sempre indicada em rodapé na página de análise de cada alimento. Embora grande parte dos dados apresentados no site seja proveniente do
United States Department of Agriculture (USDA), são também consultadas outras fontes, publicadas e não publicadas.


Para auxiliar a análise dos dados nutricionais dos alimentos e a sua comparação, os autores do site recorrem a dois conceitos desenvolvidos por eles:
  • a Caloric Ratio Piramid – apresentação, sob a forma de gráfico, da percentagem de calorias de um alimento que provêm dos hidratos de carbono, das gorduras e das proteínas.
  • o Nutritional Target Map – gráfico onde são apresentadas a densidade nutricional e o factor de saciedade de um alimento.


O ND pode funcionar como uma ferramenta útil para os Nutricionistas, pois permite, dentro de uma determinada categoria de alimentos, pesquisar quais os que têm maior ou menor concentração de um determinado nutriente. Assim, torna-se mais fácil substituir determinados alimentos de uma dieta por alternativas mais apropriadas ao objectivo pretendido.

Através do ND, após registo, é também possível analisar a composição nutricional de receitas (existentes no site ou adicionadas por nós), bem como o nosso consumo alimentar diário.

Para terminar, resta dizer que o site permite fazer o download e imprimir a ficha de informação nutricional e usá-la livremente para etiquetar alimentos, menus ou livros de receitas.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Época de morangos

Desde Fevereiro que os morangos começam a ser frequentes nos mercados. Mas a verdade é que é na Primavera e no início do Verão que eles nos chegam plenos de sabor e perfume.

Existem mais de 600 variedades de morangos que diferem em sabor, tamanho e textura. Além das espécies que são cultivadas existem ainda as que crescem espontaneamente, os morangos selvagens, caracterizados pelo seu pequeno tamanho e intenso sabor.


Propriedades Nutricionais e Terapêuticas

- O morango constitui uma excelente fonte de vitamina C e manganês.

- É rico em ómega-3, vitamina K, vitamina B2, B5, B6 e B9, cobre, iodo, silício, potássio e magnésio.

- Contém diversos açúcares (frutose e sobretudo levulose).

- É pobre em calorias, 5 morangos (de tamanho médio) têm cerca de 24 kcal.
















Quantidade de nutrientes fornecidos por uma porção de morangos (144,00 g)

- Considerado diurético e laxativo, devido às propriedades laxantes dos seus sais minerais que se combinam com a acção celulósica das pequenas sementes que estimulam os intestinos.

- Diz-se que os morangos eliminam as toxinas podendo, por isso, ser considerado também um fruto depurativo.

- Alcaliniza o sangue e reforça a imunidade natural.

- Por ser rico em vitamina C protege contra a artrite reumatóide.

- O morango está no topo de uma lista de oito alimentos mais ligados à diminuição das taxas de mortes por cancro.


Contra-indicações

- Possibilidade de reacções alérgicas quando consumidos em excesso.

- Indivíduos com problemas renais e de vesícula, não tratados, devem evitar o consumo de morangos devido à quantidade apreciável de Oxalatos presente neste fruto.


Modo de consumo

- Devem ser escolhidos de forma a serem homogeneamente vermelhos, uma zona branca ou verde próximo do pedúnculo indica falta de sabor.

- Junte puré de amêndoa para obter uma mistura mais nutritiva, rica em ferro, fósforo e cálcio.


Fontes: Performance Online e The World’s Healthiest Foods

Desperdício alimentar e subnutrição, que relação?

"Somos culpados de muitos erros e faltas, mas o nosso pior crime é o de abandonar as crianças, negligenciando os alicerces da vida. Muitas das coisas que precisamos podem esperar. As crianças não. É neste momento que os seus ossos se estão a formar, o seu sangue está a crescer e os seus sentidos se estão a desenvolver. Não podemos dizer-lhes “Amanhã”. O seu nome é “Hoje”."


Gabriela Mistral, Departamento de Nutrição para a Saúde e Desenvolvimento da Organização Mundial de Saúde, 1948 in www.who.int/en


Actualmente, 27% das crianças dos países em desenvolvimento têm baixo peso, o que representa um total de cerca de 146 milhões de crianças em estado de subnutrição.

Segundo relatórios publicado pela UNICEF, nos países em desenvolvimento mais de um quarto das crianças com menos de cinco anos têm um peso muito baixo, algumas delas a ponto de constituir um risco para as suas vidas.

Muito se fala sobre a obesidade, mas também a subnutrição constitui uma verdadeira epidemia global já que contribui para mais de metade de todas as mortes de crianças, ou seja cerca de 5.6 milhões de mortes por ano.

Esta tragédia poderia ser minimizada se os países, e nós próprios, enquanto cidadãos conscientes e empenhados na melhoria do mundo em que vivemos contribuissemos para evitar o desperdício alimentar, fazendo com que os excedentes alimentares ajudassem a matar a fome, evitando a morte pela fome.

Veja por si mesmo alguns dos números deste desperdício e quantas pessoas poderiam ser alimentadas anualmente por esse excedentes que na maioria dos casos acaba no lixo.


(para ouvires desliga a música que se encontra no fundo da pagina do lado direito)

domingo, 13 de abril de 2008

Um vídeo perturbador sobre a realidade da anorexia

Várias são as vezes que ouvimos falar desta doença mas será que temos noção de como a/o anorética/o se vê?

Com este vídeo bastante perturbador pretendemos chamar a atenção para uma doença que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, termina em morte em 20% dos casos. A anorexia ocorre 10 vezes mais em mulheres do que em homens, na grande maioria dos casos inicia-se na adolescência e ocorre com maior frequência em países desenvolvidos.

(para ouvires desliga a música que se encontra no fundo da pagina do lado direito)

É sem dúvida uma realidade dura de se ver e conviver, mas é uma doença e como em todas as doenças o acompanhamento médico, e neste caso o acompanhamento psicológico e nutricional assume-se como um forte pilar para o processo de controlo da mesma.

Fundamental na detecção e acompanhamento da doença são os familiares e amigos da/o anorética/o. O isolamento social, a recusa em comer, a procura constante do valor calórico dos alimentos, a perda de peso, são alguns dos sintomas da doença. A família e amigos surgem então como o primeiro passo para o controlo da doença, já que como observamos no video a/o anorética/o considera sempre que tem peso a mais, nega a doença e coloca muita resistência a qualquer tentativa de auxílio.